Mulheres produtoras debatem PL dos defensivos agrícolas em Cuiabá
27/08/2018

Mulheres produtoras debatem PL dos defensivos agrícolas em Cuiabá

Maria Garbugio, que se orgulha de ter colhido algodão com as mãos no Paraná quando menina, veio de Campo Verde (a 120 km de Cuiabá); Magna Guimarães veio de Lucas do Rio Verde (a 300 km da capital); Cléssia Aguiar, de Primavera do Leste, Tânia Maria Bozeli Balbinotti, de Rondonópolis, mas teve gente que veio de mais longe, como Geisa Riedi (de Sorriso), Patrícia Jacobowski (de Campo Novo do Parecis) e Marinês Falavinha (de Tangará da Serra). Produtoras de algodão em Mato Grosso, essas são algumas mulheres que atenderam ao convite de Geni Schenkel e da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) para debater um tema polêmico e de interesse de toda a população.

A proposta de "Agroligadas", Encontro de Mulheres Agro MT, foi reunir produtoras para conhecer com mais profundidade o Projeto de Lei (PL) 6.299/2002, que trata do registro, fiscalização e controle dos produtos agrotóxicos no Brasil.  "Somos mães, algumas são avós, e precisamos estar bem informadas somos esse projeto de lei e outras questões do agro, que envolvem saúde, segurança alimentar e meio ambiente", afirmou Geni, fisioterapeuta de profissão e mulher do produtor Alexandre Schenkel, presidente da Ampa. O objetivo é manter as mulheres mais unidas de modo a traçarem uma estratégia de defesa em relação a acusações que são feitas aos produtores rurais, embora o agronegócio brasileiro seja um dos sustentáculos da economia nacional e responsável por alimentar e vestir boa parte da população mundial.

Para levar as informações sobre o PL 6.299, que será submetido ao plenário da Câmara dos Deputados após ter sido aprovado pela Comissão Especial em junho passado, foram convidadas as engenheiras agrônomas Andreia Ferraz, gerente de Ciência Regulatória da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef); Elaine Lopes da Silva, gerente técnica e sócia da empresa Leisor Registros; e a jornalista Danielle Arouche, coordenadora de Comunicação do Instituto Pensar Agro (IPA).  

“Uma conversa sobre defensivos recheada de ciências" foi o título da palestra de Andreia Ferraz, que apresentou o sistema nacional de registro de defensivos agrícolas e os cuidados que envolvem a aprovação de novos produtos, assim como o que muda com o texto aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Ela falou sobre a diferença entre perigo e risco: "Qualquer remédio pode fazer mal à saúde dependendo da dose. É preciso seguir as recomendações para minimizar os riscos de exposição aos defensivos agrícolas, o que inclui o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual). Não existe risco zero, nem segurança absoluta. O PL 6299 veio para modernizar e trazer a ciência", afirmou.

Com o tema "Desmitificando a área regulatória", Elaine Silva fez um detalhado histórico da legislação envolvendo os agrotóxicos no Brasil, que, na sua avaliação, precisava ser atualizada. "Não existe aumento de produtividade nas lavouras sem o uso dos defensivos agrícolas. Se alguém te questionar sobre o uso de agrotóxicos, pergunte: você conhece uma forma de fazer agricultura em larga escala sem a aplicação de defensivos?"

Assim como as demais palestrantes, Elaine disse que há uma "guerra de informação", que foi justamente o tema central da jornalista Danielle Arouche na palestra “Mitos e verdades sobre os pesticidas no Brasil". Ela provocou risos na plateia ao mostrar o vídeo elaborado pelo IPA em resposta a outro em que estrelas globais se manifestam contra o PL 6299 e apresentou vários dados contestando informações que são veiculadas por parlamentares e outras porta-vozes de setores contrários ao projeto de lei.

Marcado para o meio da tarde, o Encontro das Mulheres Agro MT terminou depois das 19h, quando muitas participantes ainda enfrentaram a estrada de volta para casa. "Quando falei para meu filho Marcelo, que é agrônomo, que vinha a um encontro sobre esse projeto de lei ele se surpreendeu, mas acho que foi de suma importância participar. Se eu, que sou produtora, fui esclarecida sobre vários pontos, podemos nos unir para esclarecer outras pessoas", comentou Maria Garbugio.

O entusiasmo de Magna Guimarães era o mesmo. "Nós, esposas de agricultores, nem sempre temos conhecimento para debater assuntos que dizem respeito ao futuro do nosso negócio. Já acabou o tempo de mulher ficar na cozinha", comentou Magna, que é casada com o produtor Orcival Guimarães e participa ativamente na administração do grupo empresarial liderado pelo marido.

Marcelma Cecília Maciel da Silva, engenheira agrônoma e supervisora de Sustentabilidade do Instituto Algodão Social, e Luciana Ferraz, gerente institucional da Ampa, também participaram do encontro "Agroligadas", que, na avaliação de Geni Schenkel e parceiras, pode ser o pontapé inicial para uma mobilização das mulheres mato-grossenses em torno dos temas cruciais do agro.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Ampa

Fotos: Assessoria de Comunicação da Ampa

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