Compradores elogiam profissionalismo de produtores brasileiros
19/07/2017

Compradores elogiam profissionalismo de produtores brasileiros

Adeel Shahid Tata é diretor de operações da Tata Pakistan, empresa líder no segmento têxtil em seu país, que consome anualmente 85 mil toneladas de pluma, sendo a maior parte (50 mil t) de algodão paquistanês e o restante importado dos Estados Unidos (12 mil t), Brasil (de 2 a 3 mil t), Índia e países do oeste da África. Após ter participado da Missão Compradores 2017, o empresário pretende aumentar a participação brasileira e até inverter a proporção no que diz respeito à pluma norte-americana.

"Estou muito feliz por estar aqui. Mudei totalmente minha visão sobre o algodão brasileiro", comentou Adeel em Campo Verde, município mato-grossense que conheceu no último dia de visita técnica da Missão Compradores, realizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em parceria com estaduais como a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). O paquistanês disse ter ficado muito impressionado com o profissionalismo dos produtores brasileiros, que cultivam algodão em grande escala e com práticas socioambientais. "Em todos os lugares que visitei, vi uma qualidade mais consistente", afirmou, acrescentando que a pluma brasileira é superior à norte-americana no quesito tingimento.

Adeel sabe o que diz: uma das indústrias de seu grupo produz fios para malharias e também para tecelagens que fabricam o denim. Ao longo da semana passada, como convidado da Louis Dreyfus Company (uma das cinco parceiras da Missão Compradores), visitou lavouras de algodão, algodoeiras e laboratórios de classificação de fibra em Mato Grosso, Bahia e Goiás.  E ele não foi o único a demonstrar seu encantamento com os processos de produção nos três estados que produzem a maior parte do algodão exportado pelo Brasil, garantindo ao país sua posição entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais.

O chinês David Yang (o primeiro à dir.), gerente geral da Divisão Internacional da China National Cotton Group Corporation (CNCGC), também demonstrou bom conhecimento sobre a pluma brasileira, embora esta tenha sido sua primeira viagem ao Brasil. Convidado da trading Cofco, parceira da CNCGC, Yang lembrou questões ocorridas numa compra do produto brasileiro há três anos, como o índice de fibras curtas, problemas de contaminação e uniformidade.

"Se o Brasil conseguir resolver esses problemas, vamos comprar mais. Nesta viagem percebi que os produtores brasileiros estão realmente empenhados em melhorar a qualidade de seu produto", comentou Yang, que destacou a visita ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Abrapa, em Brasília. A CNCGC, que chegou a importar mais de 500 mil t de pluma/ano, compra atualmente cerca de 200 mil t de pluma do Brasil, Estados Unidos, Austrália e Índia, e a quantidade de produto brasileiro varia, mas na opinião de Marcio Kitabayashi, diretor da Cofco no Brasil, a confiança dos parceiros chineses na pluma brasileira deve crescer após a Missão Compradores.

"Há um sentimento entre os convidados de que o Brasil está caminhando na direção correta para melhoria da qualidade do algodão produzido no país. Isso é positivo porque aumenta a confiança na nossa pluma e, consequentemente, a demanda por ele", comenta Kitabayashi.

E a boa notícia vem da China: o consumo de fibra natural deverá aumentar nos próximos dois anos. Hoje o consumo total de fibras (incluindo as sintéticas) no país, que é segundo maior produtor de algodão e o maior importador mundial, é de 20 milhões t por ano, sendo que desse total somente 8 milhões t são de algodão.

"O consumo de algodão em nosso país vai crescer. A parcela de população que está ficando mais rica está aumentando e essas pessoas querem produtos mais saudáveis", argumenta Yang. Ele acrescenta que a China deverá zerar seus estoques de algodão no período de dois anos. "Em 2010, a China consumiu 10,8 milhões t de algodão – o maior recorde – e hoje nossa produção é de 5 milhões t. O consumo de algodão é crescente e, com o fim da reserva do governo, teremos que importar mais", prevê.  Yang acredita que o Brasil poderá se beneficiar disso desde que continue investindo na melhoria da produção algodoeira visando solucionar os problemas como os que foram apontados por ele. Na opinião de Yang, o Brasil precisa investir em ter um selo de qualidade, como o Green Card norte-americano (uma garantia dada pelo governo dos EUA à pluma que lhe garante um bônus na negociação), para assegurar melhores preços.

Para Alexandre Schenkel, presidente da Ampa, a Missão Compradores 2017 cumpriu o seu papel de aproximar os compradores dos produtores de Mato Grosso, Bahia e Goiás, de suas associações em nível estadual e nacional. Ele vê com otimismo a possibilidade de aumento na demanda do algodão brasileiro.

"Nós, produtores de Mato Grosso, já provamos que sabemos cultivar algodão em quantidade e qualidade suficientes para atender aos mercados interno e externo. Temos condições (áreas e recursos naturais disponíveis), e estamos investindo em novas tecnologias e em qualificação de mão de obra para ampliarmos nossa produção sem abrir mão de qualidade. Mas os custos de produção de algodão são altíssimos e precisamos ter um preço remunerador para assegurar a sustentabilidade da cultura", afirma Schenkel.

 

Primeira compra – A Missão Compradores 2017 contou com 14 representantes de indústrias da China, Bangladesh, Paquistão, Turquia, Coreia do Sul e Peru, grupo reunido pelas empresas Ecom, Cargill, Reinhard, Louis Dreyfus Company e Cofco. Entre os compradores, o indiano Ranjan Chaudhary - diretor executivo da Argon Spinning, empresa sediada em Bangladesh, e convidado da Reinhart -  destacou-se por ser um dos mais questionadores durante as visitas a laboratórios de classificação de fibra como o da Unicotton, em Primavera do Leste (MT). Ele impressionou Valmir Lana, gerente de classificação do laboratório da Unicotton, com seu interesse em saber mais sobre a máquina de análise AFIS, que verifica, por exemplo, a presença de neps, um problema que impacta negativamente na produtividade dos processos têxteis.

O indiano contou que acabou de fazer a primeira importação de algodão brasileiro (600 t) e testará o produto a partir de setembro. "Se for bom, vamos continuar comprando. Fiquei bastante surpreso com o pensamento dos produtores brasileiros, que estão empenhados em evoluir", comentou.

Convidado da Ecom, o paquistanês Macbool Alam Baig, gerente de compras da Interloop Lmited, que tem na fabricação de meias seu negócio principal e também é uma fabricante renomada de fios de qualidade, só teve elogios para a pluma brasileira. A primeira importação do Brasil aconteceu no ano passado (entre 8 e 10 mil t), mas a intenção é comprar mais.  De 50 a 60% do algodão utilizado pela Interloop são fornecidos pelo próprio Paquistão e o restante é importado de países africanos e do Brasil.   Baig disse que o melhor aspecto de negociar com o Brasil foi o fato de ter recebido exatamente o produto prometido e também a "transparência" em todas as etapas graças à rastreabilidade. "A gente consegue acompanhar tudo no website da Abrapa. Os produtores brasileiros, por meio de suas associações e cooperativas, estão fazendo tudo para melhorar a qualidade da pluma e acredito que, em dois anos, o Brasil vai fortalecer sua posição como fornecedor de pluma para os países asiáticos", comentou Baig.

O francês Robin Pigot, que liderou o grupo da Cargill na Missão Compradores 2017, também enfatizou a importância da transparência na relação entre produtores, importadores e traders. "Nosso negócio não é um jogo. A Abrapa, as estaduais e os produtores estão se esforçando para dar mais transparência à produção e isso é uma forma de agregar valor à pluma brasileira. Os compradores podem adquirir algodão brasileiro e sabem que vão receber o que compraram. Isso é muito importante", comentou Pigot.

 

Roteiro em Mato Grosso - Durante dois dias em Mato Grosso, o grupo da Missão Compradores conheceu a Fazenda Cidade Verde (Grupo WDF Agro), as fazendas Santo Antonio e Filadélfia, do Grupo Bom Futuro, o laboratório de Classificação Tecnológica da Unicotton, o laboratório de classificação e a indústria de fiação da Cooperfibra, e a usina de beneficiamento da Cooperbem. Na noite de quinta-feira, os visitantes jantaram um boi no rolete na Expoverde. A comitiva estrangeira foi acompanhada pelo presidente da Ampa, Alexandre Schenkel, e por diversos diretores da entidade: Alessandro Polato, Romeu Froelich, Paulo Sérgio Aguiar, Milton Garbugio, João Luiz Ribas Pessa, Gustavo Berto, Décio Tocantins e Alvaro Salles (diretores executivos da Ampa e do IMAmt, respectivamente).

O grupo também contou com a companhia do presidente da Abrapa, Arlindo Moura, e do presidente da Agopa, Carlos Alberto Moresco. Após a etapa de visitas técnicas, os integrantes da Missão Compradores 2017 encerraram a agenda em Chapada dos Guimarães (MT), onde participaram do XVI Anea Cotton Dinner, promovido pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), no Malai Manso Resort.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Ampa

Fotos: Lucas Ninno

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